MITOS SOBRE A CONTRACEPÇÃO - PARTE II

E continuando a série dos mitos acerca da Contracepção, ficam aqui mais uns quantos e a sua veracidade avaliada.

15. “Necessito de receita médica para tomar a pílula do dia seguinte.”
FALSO. Atualmente, em Portugal nenhuma das pílulas de emergência (ou pílula do dia seguinte - PDS) requer prescrição médica. As pílulas que contêm Levonorgestrel são de dispensa livre desde o ano de 2009, e a de Acetato de Ulipristal, ellaOne® desde abril de 2015, sendo que esta última é de dispensa livre exclusiva em farmácia.

Desta forma, pretende-se melhorar o acesso à contraceção de emergência farmacológica, para que as mulheres possam fazer a toma o mais rapidamente possível após a relação de risco, conseguindo assim uma maior eficácia. (5.Resumo das características do medicamento ellaOne, 6. Resumo das características do medicamento Norlevo)

16. “Todas as pílulas do dia seguinte são abortivas.”
FALSO. As pílulas do dia seguinte não podem interromper uma gravidez já estabelecida nem afetar um embrião em desenvolvimento. O facto de não terem um efeito demonstrado sobre a implantação do óvulo explica porque, por um lado, não são 100% eficazes em impedir uma gravidez e, por outro, porque são menos eficazes quanto mais tarde se tomam. Pelo contrário, a pílula do dia seguinte poderá ter um impacto indireto no aborto, uma vez que a sua utilização poderá prevenir o recurso ao aborto, através da redução do número de gravidezes não planeadas. 


17. “A pílula do dia seguinte é perigosa, porque é uma carga hormonal excessiva para o organismo da mulher.”
FALSO. A pílula do dia seguinte tem efeitos secundários reduzidos, autolimitados e não costumam necessitar de tratamento. Não interrompe uma gravidez em curso e o retorno à fertilidade pode ser imediato.

Os critérios de Elegibilidade de Contracetivos da Organização Mundial de Saúde (OMS) 2015 revêm a segurança da contraceção de emergência e confirmam a sua segurança. (7. WHO medical eligibility criteria wheel for contraceptive use – 2015 update,)

18. “Se tomei uma pílula do dia seguinte durante um ciclo já não posso tomar mais.”
FALSO. Segundo os critérios de Elegibilidade da OMS 2015, o uso repetido da contraceção de emergência é uma CATEGORIA 1, ou seja, não tem contraindicações. 

O efeito secundário mais importante é a alteração do ciclo.

O mais importante é fornecer boa informação às mulheres sobre o uso da contraceção, promovendo a utilização de contracetivo reversíveis de longa duração (p. ex. diu, implante), nos quais a eficácia dependa só do método e não do seu cumprimento.(7. WHO medical eligibility criteria wheel for contraceptive use – 2015 update, 8. American College of Obstetricians and Gynecologists WOMEN’S HEALTH CARE PHYSICIANS PRACTICE BULLETIN Number 152, September 2015)

19. “Se já se passaram 72 horas não posso tomar a pílula do dia seguinte.” 
FALSO. O acetato de ulipristal tem indicação, para ser usado até 120h após a relação sexual não protegida.. 

20. “Se já estiver grávida, a pílula do dia seguinte pode afetar o bebé.”
FALSO. Os dados de segurança disponíveis relativamente à exposição da gravidez não sugerem preocupação. Numerosos estudos demonstraram a segurança da Contraceção de Emergência (CE) em todos os aspetos, incluindo nos casos em que se produza uma gravidez. 

Tanto a EMA, a OMS, como a Food Drug Administration (FDA) ou o American College of Obstetrician and Gynecologist (ACOG) publicaram as suas posições sobre esta matéria. (9.. WHO; Fact Sheet, Feb2016. Emergency contraception)

21. “A pílula do dia seguinte protege de Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST’s).”

FALSO. Apesar da pílula do dia seguinte ser um método hormonal que poderia modificar as condições do muco cervical, tal como acontece com a contraceção hormonal combinada e com os métodos apenas progestativos, e desta forma, prevenir a entrada de germes na cavidade uterina, a sua administração de forma pontual, num momento concreto, faz com que este efeito sobre o muco cervical seja limitado. Por isso, é importante sublinhar que a pílula do dia seguinte não protege de ITS’s. 

22. “A contraceção de emergência não tem efeitos secundários.”
FALSO. Todos os fármacos apresentam, além do seu efeito benéfico, efeitos secundários. A contraceção de emergência não poderia estar isenta desta realidade e, portanto, há que constatar que o uso da contraceção de emergência pode associar-se ao surgimento de alguns efeitos secundários. Os estudos clínicos concluíram que os seus efeitos secundários são leves, de pouca intensidade, desaparecem espontaneamente sem necessidade de tratamento e não comprometem a saúde da mulher. Entre estes possíveis efeitos secundários destacam-se as cefaleias, a dor menstrual e as náuseas. . 

23. “A pílula do dia seguinte aumenta os comportamentos de risco.”
FALSO. Está completamente demonstrado que a pílula do dia seguinte não substituiu a contraceção regular. Além disso, vários estudos comprovam que a dispensa antecipada da pílula do dia seguinte não aumenta o uso da mesma. Uma utilização mais rápida da pílula do dia seguinte resulta numa maior efetividade. (10. DM Walkert et al. J Adolesc Health 2004; 35(4):329-34, 12. Raine TR, et al JAMA 2005;293:54-62)

24. “A contraceção de emergência tem um bom perfil de segurança.”
VERDADEIRO. Em medicina, entende-se por segurança de um fármaco a avaliação do seu impacto negativo, sob a forma de efeitos secundários, na saúde da pessoa que o utiliza. Se, como já se detalhou anteriormente, os efeitos secundários da Contraceção de Emergência são mínimos, leves e limitados, é fácil de entender porque algumas autoridades de saúde a consideram como um medicamento essencial. 

25. “A pílula do dia seguinte mata.”
FALSO. A pílula do dia seguinte NÃO MATA e nem sequer pressupõe um risco importante para a saúde da mulher. Tem um bom perfil de segurança, de modo nenhum perigosa para a saúde, e com efeitos secundários autolimitados, leves e que não alteram de forma significativa nem permanente a saúde da mulher. 

26. “O retorno à fertilidade depois da toma da pílula do dia seguinte é imediato.”
VERDADEIRO. Logo que a pílula do dia seguinte tenha realizado a sua ação de interferência com o processo normal de ovulação (atrasando ou inibindo a libertação do óvulo) no próximo ciclo ovulatório restabelecer-se-á a normalidade existente antes da toma da mesma. A pílula do dia seguinte apenas altera a ovulação e a data esperada da menstruação durante o ciclo em que for tomada. É provavel um rápido retorno da fertilidade após a toma. Caso uma mulher mantiver relações sexuais após a toma deve utilizar um método barreira fiável em todas as relções sexuais posteriores até ao príximo período menstrual. 

27. “Devem utilizar-se métodos de barreira fiáveis depois da toma da pílula do dia seguinte.” 
VERDADEIRO. Como o seu nome popularmente indica, as chamadas “pílulas do dia seguinte” apenas protegem a mulher de uma gravidez não planeada quando são tomadas após um coito desprotegido, pelo que depois de os tomar deve-se continuar a utilizar um método de barreira fiável durante o resto desse ciclo menstrual para proteger de uma gravidez não planeada


Referências: 

1. Baird DD et al. Epidemiology 1995;6:547-556

2. Wilcox AJ et al. N Engl J Med 1995;333:1517-21

3. SR Palone JABFM 2009; 22(2):147-157

4. Nappi RE, et al , Eur J. contracept Reprod Health Care 2014

7. WHO medical eligibility criteria wheel for contraceptive use – 2015 update

8. The American College of Obstetricians and Gynecologists WOMEN’S HEALTH CARE PHYSICIANS PRACTICE BULLETIN Number 152, September 2015

9. WHO; Fact Sheet, Feb2016. Emergency contraception

10. DM Walkert et al. J Adolesc Health 2004; 35(4):329-34




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