CAMINHO | POR DIANA FAUSTINO - OMSHANTI

Hoje, dia 29 de Setembro, faço 28 anos (inspirar e expirar)...
Hoje, percebo que há 10 anos que admito perante todos que sou alguém que sempre viu “coisas”, que se permitiu ser diferente (ser eu mesma), que permitiu viver a vida que realmente escolheu e continua diariamente a escolher.
Hoje percebo que há 10 anos trás eu via a vida de uma forma bem diferente, via as pessoas e experiências que atraía para mim de uma forma bem diferente. Tudo era tão diferente. Hoje sou tão diferente.

Deixei de escrever durante uns meses, havia demasiada informação por aí, falava-se de demasiadas coisas, o mundo girava a mil à hora, e eu sou balança, gosto do meu equilíbrio, gosto de ser genuína no que faço e precisei de desligar-me do “fast-food de informação” que se via por todo o lado… eu precisei de respirar. 

Precisei de parar, de ancorar, trazer para mim de volta a atenção, o poder, a paz… precisei de trazer para mim de volta quem eu sou… e quem eu sou não era o resultado de um turbilhão de coisas e afazeres.

Para mim é delicioso nutrir-me, afastar-me do que não me faz bem e abastecer-me de todas as boas experiências que tenho ao meu redor que estão ali como fruta madura à espera de ser colhida da arvore e apenas e só consumida. 

E hoje, num dia tão bonito para mim, em que celebro a minha vida, a minha sabedoria mas acima de tudo o meu caminho… em que celebro aquela certeza de estar a amar e a “curtir” a pessoa que me estou a tornar, então aqui ganho tanta força, tanta disponibilidade para mim mesma, ganho noção do caminho… não ganho certezas, porque são raras e a vida é mais interessante quando existem incertezas e mudanças.

O caminho do sagrado feminino foi um caminho que eu escolhi, mas só depois de este caminho me escolher é que compreendi o poder de cura que teve em mim, mais do que levo diariamente aos outros: às mulheres (e também homens) que me procuram e que partilham comigo tanto do seu privado é sem dúvida uma honra estar neste caminho e nesta partilha, em cada abraço, em cada olhar, em cada palavra trocada… a cura acontece também em mim, e a compaixão que tenho pelo outro aumenta.

Quando me perguntam o que é o sagrado feminino, explico que para mim, este caminho é a nutrição, validação e capacitação da mulher que somos, e isto parece ser pouco, ou por outras palavras, ser dito em poucas palavras, contudo é um caminho gigante… encontrar a mulher que realmente somos no meio da mulher que nos tornámos. É uma forma de vida, e eu vejo o sagrado feminino como um hino à energia feminina – à sacerdotisa - que todos temos em nós, e por mais resistências que tenhamos no caminho de chegar a nós mesmos estas resistências são apenas e só receios. 

É interessante saber que tantas mulheres e homens vieram para este mundo bem antes de nós e mesmo sem ferramentas, sem disponibilidade energética/física/emocional ou o que lhe quiserem chamar fizeram de tudo o que tinham no seu alcance para preparar este mundo para receber esta geração de curandeiras e curandeiros, e ter um papel activo neste caminho não me faz melhor que ninguém, faz-me consciente de mim. Apenas e só.

Saber que muitos foram apelidados de loucos por falar em energia, por ver “coisas”, por ter poderes avassaladores que faziam premonição entre outras coisas, faz-me crer que este mundo foi preparado e pensado ao mais ínfimo pormenor para que cada um de nós tenha chegado a este mundo e tenha tido a possibilidade de expor os seus dons.

Agora, se não foi fácil para alguém… bem… todos temos as nossas histórias, todos temos os nossos lobos internos e todos temos a capacidade de sair do conhecido e ver além do que nos é mostrado; se não perceberam que nesta época temos tido oportunidades brilhantes para sair da caixinha de pandora, então talvez esteja na hora de olhar com olhos de ver e coração aberto.

Todos os dias há o renovar de esperança de dias melhores, especialmente dias em que encontramos a paz dentro do nosso coração, a paz de estar aonde temos que estar, a fazer o que temos que fazer com as ferramentas que temos, simples e apenas assim conseguimos sentir se a nossa alma realmente traçou aquele caminho para nós.

Tem sido bonito ver tantas pessoas a despertarem para o sentido da sua própria vida, para o sentido da vida em partilha e em comunhão com o outro. E este outro pode ser uma pessoa, um animal, uma folha, uma estrela… o que fôr.

É nesta comunhão que crescemos e fomentamos em conjunto um melhor futuro para nós, para os outros e para a nossa descendência. Quando ganhamos a consciência de estar presente na vida de forma real, ganhamos vida e tempo de vida, o tempo e a energia contam-nos histórias e nós finalmente começamos a compreender muitas coisas até agora tapadas com o véu da ignorância.

Por vezes este véu chama-se medo, e é natural que exista, a desilusão do que existe após o véu pode ser grande, contudo e se não for? E se apenas for outra forma de ser ou estar? Quando iniciei este texto falei da mudança que sinto em apenas 10 anos, espero honestamente que daqui a mais 10 anos esteja ainda mais diferente, porque é sinal que não parei, que continuei na busca e na manifestação do meu sagrado feminino e do meu sagrado masculino.

E todos os dias a vida dá-me oportunidades belíssimas de fazer estas mudanças, de amar ainda mais o meu sagrado feminino e masculino, oportunidades de dar oportunidade à compaixão de ter morada fixa no meu coração, e é sem dúvida uma das maiores bênçãos que tenho tido: ser disponível à constante mudança, à constante renovação e reintegração de nova energia, de uma nova paz, de um novo sentir e de nova forma de estar e Ser. 

Existe um “eu” em cada um de nós tão bonito… e merece ser celebrado!!!

Gratidão!



Diana Faustino


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