ACNE E CONTRACEÇÃO | POR DRA. MARTA ALMEIDA PEREIRA


A acne define-se como uma doença inflamatória crónica da unidade pilo-sebácea. Afeta cerca de 80% dos adolescentes e apresenta-se de forma moderada a grave em cerca de 20% dos casos.
Os fatores que determinam uma maior gravidade da acne são a hiperseborreia (excesso de oleosidade), a idade de aparecimento precoce (pré-puberdade), a extensão das lesões ao tronco e os antecedentes familiares de acne.

Em relação aos fatores agravantes, os estudos não são consensuais – mantém-se a discussão sobre o papel do tabaco (parece associar-se a aumento de comedões) e da alimentação, sendo os lacticínios magros e os açúcares de absorção rápida apontados como fatores potencialmente agravantes.

Para além da acne no adolescente, encontramos acne na criança e no adulto- cerca de 40% das mulheres tem acne na vida adulta, por persistência desde a adolescência ou desenvolvimento “de novo”. O tratamento varia de acordo com a idade, sexo e gravidade da situação clínica, nomeadamente a extensão da doença e o impacto psicológico no indivíduo.

A intervenção do dermatologista deverá ser rápida e eficaz de forma a diminuir o risco de cicatrizes.

O tratamento compreende uma abordagem intensiva seguida de uma manutenção. Dentro das opções de tratamento temos os medicamentos tópicos (antibióticos, retinoides, ácido azelaico, peróxido de benzoílo) e orais (antibióticos, gluconato de zinco e isotretinoína). 

Na mulher, a pílula contraceptiva é um aliado em todos os tratamentos de acne. Atua, impedindo a ligação dos androgénos circulantes à glândula sebácea da pele, melhorando a seborreia e, consequentemente, inibindo a formação da lesão inicial da acne – o comedão.

As pilulas recomendadas no tratamento da acne são as pílulas anti-androgénicas. Em Portugal, dispomos das pílulas orais combinadas de etinilestradiol + acetato de ciproterona e, mais recentemente, de etinilestradiol + dienogest. Há 30 anos que não existia uma novidade em contraceção com indicação formal para tratamento da acne ligeira a moderada. Este ano, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) anunciou esta indicação para a pilula que contém dienogest 2 mg e etinilestradiol 0,03 mg alargando o leque de opções de tratamento disponíveis. 

As pilulas não podem ser tomadas por qualquer mulher nem em qualquer idade. Factores como hipertensão, excesso de peso, tabagismo, antecedentes de tromboembolismo ou de doenças pró-trombóticas, podem limitar ou mesmo contra-indicar a prescrição da pílula. Essa avaliação deverá ser sempre feita pelo médico.

Dra. Marta Almeida Pereira
Assistente Hospitalar de Dermatologia e Venereologia no Hospital de Pedro Hispano desde 2008

Membro da Ordem dos Médicos, Secção Regional do Norte (2000)




  • Licenciatura em Medicina no Instituto de Ciência Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto (1994-2000)
  • Membro efectivo da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (2002)
  • Membro efectivo da European Society of Dermatology and Venereology (2012)




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