QUANDO O PESO AFECTA A NOSSA QUALIDADE DE VIDA

Com a chegada do Verão e das temperaturas quentes vem a principal preocupação das pessoas com o seu peso.
É de conhecimento comum que os hábitos alimentares e um estilo de vida saudável, não apenas durante um período de tempo reduzido mas durante toda a vida, são fundamentais para se evitarem situações de excesso de peso e de obesidade.

Muito para além do aspeto e cuidados com o corpo, a obesidade tem um impacto na saúde e é responsável pelo desenvolvimento de muitas outras doenças. 
A verdade é que o contexto da obesidade em Portugal e Europa tem atingido números preocupantes e a questão não está só relacionada com a obesidade mas com as comorbilidades associadas, que podem ir desde a diabetes mellitus tipo 2 (DTM2), hipertensão e doenças cardiovasculares, apneia obstrutiva do sono, potencial desenvolvimento de alguns tipos de cancro, artrite, entre outros. 

Está comprovado que a perda de peso tem um impacto significativamente positivo na saúde das pessoas com obesidade e a perda de 5% a 10% do peso, pode trazer benefícios, muito para além do aspeto físico, tais como:
  • Redução de risco de DTM2
  • Redução de fatores de risco cardiovasculares
  • Melhorias na pressão arterial
  • Melhorias na gravidade de apneia do sono
Para além da vontade do doente, é necessário haver várias opções de tratamento para ajudar as pessoas com obesidade a perder peso e a manter esse peso e desse modo a melhorar a sua saúde. 
Na verdade verifica-se precisamente que um dos grandes desafios do tratamento da obesidade é a manutenção do peso após a perda de peso. Muitas vezes a única opção apresentada a estes doentes passa por uma cirurgia bariátrica, que não é possível de se aplicar em todos os casos, tanto pelo seu custo, como pela elegibilidade da própria pessoa para este tipo de tratamento. 
Existem agora novas opções em Portugal: um tratamento medicamentoso, que regula o apetite e a quantidade de comida ingerida fazendo com que a sensação de fome diminua e aumente a sensação de satisfação e saciedade depois de comer, que pode revolucionar o tratamento destes doentes, que para além de facilitar a perda de peso, traz também melhorias a nível da diabetes tipo 2 e pressão arterial, permitindo que os doentes percam algum do seu peso. 
Conjuntamente com uma melhoria nos estilos de vida, é uma alteração que efetivamente pode representar mais uma opção para os doentes com obesidade. 

Mais sobre a obesidade

Os dados mais recentes mostram que existe um grande desfasamento do que deviam ser as preocupações da pessoa com a sua saúde e com o seu peso, daquilo que acontece efetivamente na realidade:

  • Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de dados correspondentes a 2014, o número de adolescentes obesos continua a aumentar em muitos países da Europa, incluindo Portugal. Os maus hábitos alimentares e a reduzida atividade física estão entre as causas do elevado índice de obesidade.
  • Portugal surge como um dos cinco entre 27 países com maior percentagem de adolescentes obesos.
  • Segundo um estudo internacional publicado este mês, no qual Portugal se encontra integrado, a taxa de obesidade em menores de 20 anos quase triplicou em Portugal entre 1980 e 2015, passando de 3% para 8%.
  • Na população adulta, as estatísticas analisadas indicam que a obesidade afeta mais adultos do sexo feminino (22%) do que do sexo masculino (17%).
  • Em 2015, mostrou-se que existem cerca de 107,7 milhões de crianças e 603,7 milhões de adultos com obesidade no mundo.
  • Mais de 58% da população encontra-se desempregada, reformada ou inativa.
  • 78% das pessoas obesas têm um nível básico ou nenhum nível educacional.
  • Em Portugal, a região que regista mais obesos é a região norte do país
  • A obesidade é reconhecida como doença pelas organizações de saúde incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e é definida como uma acumulação excessiva de gordura prejudicial para a Saúde.
  • Estima-se que mais de 50% da população mundial será obesa em 2025 se não forem adotadas medidas em contrário.
  • Segundo o Instituto Nacional de Estatística, há 1,4 milhões de pessoas obesas em Portugal o que faz de Portugal um dos países com maior taxa de obesidade na União Europeia.
  • A obesidade tem vários fatores que podem levar ao seu desenvolvimento e que devem ser tidos em conta:
    1. Fatores Externos: Alimentação; Medicação, Comportamento e socioeconómicos;
    2. Fatores Fisiológicos;
    3. Fatores Genéticos. 


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