CONTRACEÇÃO DE EMERGÊNCIA - OPINIÃO MÉDICA

A contraceção é umas das áreas mais inovadoras e dinâmicas na saúde da mulher e a evolução dos conceitos associados promoveu um dos direitos fundamentais das mulheres: liberdade/opção de escolha para viver de melhor forma a sua sexualidade. Atualmente as mulheres podem definir as suas perspetivas de fertilidade, quantos filhos querem ter e quando é que pretendem ser mãe.

O método contracetivo mais utilizado continua a ser a pílula, no entanto cerca de 22% das utilizadoras afirmam que tem esquecimentos frequentes em praticamente todos os ciclos. Segundo um estudo publicado sobre as práticas contracetivas das mulheres em Portugal, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa de Contraceção, 88% das mulheres sexualmente ativas conhece pilula de emergência e 17% afirma já ter utilizado.

A contraceção de emergência é um método contracetivo que só deverá ser usado em situações de risco de uma gravidez não planeada, por falha do método regular ou por relações sexuais não protegidas. A contraceção de emergência hormonal recomendada é de toma única, a deverá ser tomada no caso de conter a substância levonorgestrel (exemplo da pílula Postinor®) até 72horas (3 dias) após a relação sexual de risco. Existe outra alternativa hormonal que consiste numa pílula única de acetato de ulipristal que pode ser utilizada durante 5 dias após as relações sexuais não protegidas. 

São ainda muitas as dúvidas e os receios por parte das mulheres relativamente ao uso de métodos contracetivos de emergência. O principal receio das mulheres que diariamente surgem nas consultas prende-se com o facto de acharem que a contraceção oral de emergência tem demasiadas hormonas e por isso vai desregular os seus ciclos. É necessário clarificar que as hormonas contidas na contraceção de emergência podem alterar a sua menstruação apenas no ciclo em que as tomas e não nos restantes, sendo que depois disso, a menstruação regressa ao seu padrão regular. Outra questão bastante comum colocada pelas mulheres é se podem tomar a contraceção oral de emergência mais que uma vez no mesmo ciclo. A resposta é afirmativa, no entanto, a contraceção de emergência não deverá ser usada como método regular, mas sim em caso de emergência sempre que exista um esquecimento da toma da pilula contracetiva, quando mulher e/ou o casal estão inseguros quanto à eficácia do coito interrompido ou ao método do calendário, quando o método de contraceção habitual falhou, ou quando tem tomado outra medicação que poderá ter diminuído a eficácia da pilula que toma regularmente e a mulher está preocupada com a possibilidade de estar grávida. 

Fale com o seu médico para que juntos definam qual o método contracetivo mais indicado para o seu caso. É importante que os casais/parceiros, que não pretendam engravidar, utilizem métodos contracetivos da sua preferência.





Dr. Joaquim Neves, 
Médico Especialista em Obstetrícia e Ginecologia, 
Assistente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa





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