CAPACIDADE DE REINVENTAR | POR DIANA FAUSTINO - OMSHANTI

Quando a vida me diz que sou dona do meu nariz, a primeira tendência é dizer não, talvez porque aprendi que dizer "não" logo como primeiro impulso porque era “certo”, me iria proteger de muito sofrimento.
Acreditei que dizer "não" era o caminho mais rápido para a disciplina e para o foco, algo que acreditava que existia em poucas doses dentro de mim. Contudo há pouco tempo percebi que dizer "não" às propostas do universo era acima de tudo dizer "não" a mim mesma.

O sofrimento estava lá, e afinal não servia como desculpa para não ver que o tal foco, organização e disciplina existiam em mim, esse tal "não" tão inofensivo era afinal uma máscara que a minha exigência (por sinal bastante sufocante) tinha para não permitir que eu deixasse a Vida e que ela naturalmente se expressasse em mim.

Então mantemos uma vida bem focada em tentar negar parte de nós, e chamamos-lhe de muita coisa: emoções, desequilíbrio emocional, irritabilidade, o “não quero isso para mim”, e tantas outras coisas, nomenclaturas bastante inteligentes.

Mas um dia a vida prega-nos uma partida e torna as propostas cada vez mais aliciantes, e não quer dizer que sejam propostas más, são simplesmente formas que o universo arranjou de nos perguntar se tínhamos a certeza que aquilo que negávamos não faria realmente parte da nossa experiência, seja o que for que advenha daí.

Se aquela experiencia é nossa, então vai tornar-se cada vez mais sedutora e a nossa mestria é colocada em causa, ou pensamos que é, porque será que essa mestria não nos está a tentar ensinar alguma coisa como por exemplo dizer "sim"?

Recapitulando a frase escrita acima: quando a vida me diz que sou dona do meu nariz… assim sendo aqui já não pode haver desculpas, apenas há a tomada de consciência e a tomada de decisões, por muito que este tal não nos poupe de sofrimento, afinal apenas serviu como disfarce para o que realmente queremos, mas que de alguma forma temos medo.

E talvez seja naquele medo de assumir um "sim" que resida a verdadeira chave da felicidade.

Então diariamente é necessário reinventar quem nós somos, renascer a cada momento para novas possibilidades, dar desta forma espaço para que a Alma respire e se liberte de muitas amarras criadas pelas altas expectativas de futuro que naturalmente criamos à medida que avançamos na vida.

Creio que acender a chama do sim dentro de nós não é difícil, é sim mais desafiante mantê-la acesa perante tantos anos de utilização inútil do não, tantos anos de privações fazem mossas na nossa capacidade de co-criação, e também na nossa comunicação, tal como se fosse uma sombra, mas podemos perfeitamente conviver com isso: cada vez que sai um "não" e afinal queremos dizer "sim", basta voltar atrás e dizer que afinal a resposta é "sim", e isto não nos faz loucos, faz-nos humanos.





Diana Faustino





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