MIOMAS UTERINOS - PORQUÊ, COMO, QUANDO?

Hoje é  Dia Internacional da Saúde Feminina, pelo que achámos que era uma boa altura para abordarmos um assunto que nos provoca a todas alguns receios e tentarmos desmistificar algumas questões sobre ele. Falamos dos Miomas Uterinos! É um texto longo mas quisemos abordar todas as possíveis questões que tenham sobre este tema.
Os miomas uterinos são os tumores benignos mais comuns do tracto genital feminino. Dividem-se em três grupos de acordo com o local onde se desenvolvem:

• Mioma Submucoso - cresce na cavidade do útero.
• Mioma intramural - cresce dentro da parede do útero.
• Mioma Subseroso - cresce para fora do útero.

O porque de se desenvolver um mioma é ainda desconhecido sabendo-se apenas que:
  • Os miomas uterinos são os tumores pélvicos mais frequentes afectando 30-60% da população  feminina em geral e 20 a 40% das mulheres em idade reprodutiva;
  • Verifica-se maior incidência de miomas uterinos nas mulheres entre os 40 e 50 anos;
  • Em Portugal estima-se que cerca de 2 milhões de mulheres tenham miomas uterinos;
  • A incidência é 10% a 20% superior em mulheres de raça negra comparativamente a caucasianas;
  • Estima-se que os tumores uterinos estejam associados com a disfunção reprodutiva em 2% a 3% dos casos.
  • Que podem ir aumentando de tamanho até à menopausa, após a qual diminuem de tamanho. Podem igualmente crescer na fase inicial da gravidez, sendo que na segunda metade da gravidez o seu tamanho estabiliza ou podem mesmo regredir.

SINTOMAS

A maioria dos casos de miomas uterinos são assintomáticos e apenas descobertos num check-up ou durante a realização de exames por outro motivo. Contudo cerca de 30% dos casos provocam manifestações que podem variar significativamente consoante a sua localização, tamanho e número, e podem ser responsáveis por alguns problemas que afectam a saúde e a qualidade de vida da mulher.

Os sinais e sintomas mais frequentes correspondem a:
  • hemorragias, 
  • distensão e desconforto pélvico. 
Para além disso, quando os miomas são muito volumosos, podem originar sensação de desconforto no baixoventre, dor pélvica e abdominal, pouco intensa e contínua, dor nas costas ou durante as relações sexuais.

Os miomas podem ainda causar:
  • micção frequente, 
  • incontinência e 
  • infertilidade. 

Embora os miomas quase nunca sofram transformações malignas, podem originar algumas complicações sendo uma das mais frequentes a anemia provocada por hemorragias repetidas.

QUEM ESTÁ MAIS SUJEITO A DESENVOLVER? 

Alguns factores podem aumentar o risco de uma mulher desenvolver miomas uterinos.

  • Idade. Tornam-se mais comuns com a idade, especialmente durante os 40 e até à menopausa. Depois da menopausa começam a diminuir.
  • Histórico familiar. A existência de um familiar com miomas aumenta o risco. Se a mãe da mulher em questão teve miomas, o risco de desenvolver miomas é cerca de 2,5 vezes superior à média.
  • Origem étnica. As mulheres de raça negra têm mais probabilidade de desenvolver do que as mulheres caucasianas.
  • Obesidade. As mulheres com excesso de peso têm mais probabilidades de vir a desenvolver miomas uterinos, sendo que o risco aumenta 21% por cada 10Kg de peso aumentado à média.

DIAGNÓSTICO 

Na maioria dos casos, os miomas são tumores benignos. As estatísticas revelam que cerca de uma em cada mil mulheres com miomas poderá apresentar um tumor maligno, cujo crescimento é rápido, e acontece sobretudo em mulheres na pós-menopausa.

Na maior parte das vezes, os miomas são diagnosticados com um simples exame no consultório do ginecologista. No entanto, quando não é possível chegar-se a uma conclusão, recorre-se a outros meios de diagnóstico destas lesões, como é o caso das ecografias pélvicas (o método mais fiável nestas situações), a ressonância magnética, a histeroscopia ou a histerossonografia para miomas sub-mucoso.


TRATAMENTO

O tratamento pode variar em função do tamanho do mioma, manifestações e do desejo da mulher engravidar. 

O tratamento mais recorrente é a Histerectomia (retirada do útero) - uma cirurgia que por si só, no momento em que é realizada, tem um grande impacto negativo na saúde da mulher: mental devido a ser uma cirurgia invasiva e castradora, e também físico devido ao tempo de recuperação que exigee complicações pós cirúrgicas que possam aparecer.

O nosso útero é um órgão necessário não só na reprodução. A sua remoção pode resultar em disfunção do pavimento pélvico, incontinência urinária de esforço, transtornos depressivos, aumento do risco de doenças cardiovasculares e doenças neurodegenerativas, e maior incidência de neoplasias. Por isto mesmo, existem cada vez mais estudos e especialistas a defender que se deve preservar o útero e procurar outras opções que menos castradoras.

Existem dois tratamentos pré-operatórios para esta condição:

Os agonistas GnRH, injectáveis - o seu uso é relativamente limitado pelos efeitos secundários resultantes da supressão de estrogénios até níveis de castração (afrontamentos, depressão, alterações do humor, perda de libido, vaginite e perda de massa óssea).

MaIs recente, o acetato de ulipristal, por via oral, é o primeiro de uma nova classe de fármacos, os moduladores selectivos do receptor da progesterona oralmente activos, que bloqueiam de forma reversível o receptor nos tecidos-alvo. É efectivo na supressão da hemorragia uterina, na correcção da anemia e na redução do volume do tumor.

Muitas vezes com este tratamento, indicado para regime pré operatório, leva a que desapareça a necessidade de recorrer a operações – conseguindo reduzir significativamente o tamanho dos miomas, eliminar os sintomas, garantir a qualidade de vida e é eficaz nos casos de infertilidade por miomas uterinos.

Existe aqui vantagem económica para os hospitais, uma vez que existe a possibilidade de se evitarem custos directos e indirectos associados às operações, permitindo ganhos para os sistemas de Saúde, entre os quais o Serviço Nacional de Saúde

MIOMAS E GRAVIDEZ

Em função do número de miomas e da sua localização, os miomas uterinos podem interferir com a implantação do embrião, no início da gravidez, conduzindo a abortos de repetição ou a partos prematuros.

As mulheres que têm miomas podem ser mais propensas a experienciar problemas durante a gravidez e durante o parto. Alguns problemas podem ser:
  • Cesarianas. O risco de ser submetida a uma cesariana duplica.
  • Bebé em posição pélvica. O bebé não está bem posicionado para nascer por parto vaginal.
  • Placenta prévia.
  • Parto prematuro.
  • Hemorragia pós-parto


Comentários