ENCONTRE A FELICIDADE | POR DIANA FAUSTINO - OMSHANTI

Algo que reconheço na sociedade, desde pequena, é a necessidade que as pessoas têm em manter a pose, isto é, mostrar algo ou aparentar ser alguém que não são.
Mas o interessante nisto é que é algo que é naturalmente incutido desde pequenos, não que a nossa família o faça por mal, pois isso também lhes foi incutido, mas para não passarmos por processos de exclusão social então temos que ser corresponder a algum tipo de padrão ou forma de estar que sustenta esta farsa. Assim ninguém sofre a exclusão e quem ousar quebrar com isto é logo rotulado de “diferente”, de ovelha negra.

Basta esta pessoa ter a ousadia de pensar por si, ter a ousadia de querer mais ou de tentar criar algo que nunca foi criado até agora, seja um produto, seja uma marca, seja um conceito. As pessoas estão tão naturalizadas com o padrão social que mesmo que gostem de uma ideologia/marca/produto primeiro há uma necessidade, isto é, o nosso cérebro está programado para destruir algo que não vai de acordo com o que é natural, contudo e ainda bem que assim é, isto costuma durar uns segundos e alteramos o primeiro impulso.

Ao alimentar estas crenças alimentamos também a mente fechada e fechamos naturalmente a possibilidade de aprender algo novo. 

São as celebres histórias de quando resolvemos começar a correr, alguém se lembra que noutra vida foi instrutor de fitness e dá-nos todos os tipos de conselhos e cuidados a ter; ou quando resolvemos mudar a alimentação, alguém que noutra vida foi um cozinheiro de prestigio ou médico e resolve também dar conselhos ou fazer perguntas desnecessárias, e tantas outras situações onde a opinião dessas mesmas pessoas nunca foi pedida.

A base desta necessidade de reprimir o outro, consciente ou inconscientemente, é apenas uma: o medo de perder o controlo, e este medo é muito inconsciente. O controlo sempre existiu e continua a existir, e convenhamos que em muitas situações é importante para assegurar a segurança de todos. 

Mas este sistema de controlo por vezes é levado a extremos e tudo isto é passado à descendência como algo natural: é neste momento criada uma imagem mental de identidade, porque os mais novos aprendem com os mais velhos e aprendemos assim os costumes, tradições e valores familiares e sociais. 

Desde cedo sabemos que temos que ser x, y ou z para ter sucesso, mas felizmente que a informação que passamos aos mais novos está a mudar, pelo simples facto de perceber que afinal quando chegamos a adultos e cumprimos a vida toda o x, y e z isto não significa mais ter sucesso garantido, então começam as frustrações, as desilusões, e naturalmente as depressões: a pessoa viveu a vida toda a acreditar numa programação, num sistema que afinal não é assim tão certo.

E quem consegue ver além disto, começa à procura de respostas, começa uma busca pela sua verdadeira natureza mas com o desafio constante de ser apontado na sociedade como o diferente, com a agravante que muitas vezes esta sociedade que culpa e critica está dentro da sua cabeça com um chicote bem violento. 

Não é fácil mudar os padrões com os quais crescemos, mas é possível, haverá sempre uma vozinha lá no fundo a dizer que não “estamos a ser suficientemente bons” ou algo do género, mas esta vozinha vai perdendo força à medida que procuramos a nossa verdadeira verdade.

E isto não significa necessariamente que a pessoa tem de passar a ter uma vida espiritual, existem tantas pessoas que não sabem o que é meditação, ou gurus, ou coach e conseguiram fazê-lo por si mesmos.

Cada pessoa tem de fazer o seu caminho e aprender a não colocar ninguém em pedestais, porque quem coloca é que ainda não percebeu que está a ser vitima de um controlo inconsciente de encontrar uma razão ou mestre fora de si e aqui há muita falta de humildade e coloca uma expectativa irreal no outro, então se por um acaso essa pessoa mostra que é humana, isto é, cheia de fraquezas e falhas, então passa de bestial a besta.

É necessário não rotular as pessoas, é necessário não colocar ninguém em pedestais, é necessário compreender que ninguém tem mais poder que ninguém e que todos somos humanos: todos estamos a fazer o nosso caminho e o caminho de todos é diferente, mesmo que o fim seja o mesmo para todos: encontrar a felicidade.









Diana Faustino



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