UM PROCESSO DIÁRIO | POR CARLA DE SOUSA PINTO

Muitas vezes, em especial no início do Processo de Tratamento contra o Cancro,nas Sessões de Coaching Oncológico que sigo, os meus Coachees (usualmente e neste caso são pacientes com cancro) questionam-me acerca de como consegui… 
Aquando de um diagnóstico e estando acompanhado por alguém que se sabe que “esteve lá” e “sobreviveu”, a empatia instala-se facilmente e muitas vezes solicitam-me “dicas” para ultrapassar a fase desafiante que se aproxima!

A minha dica principal, será sempre, escutarem o vosso corpo… e depois o vosso médico e restante pessoal clínico. Evitar comparações, tanto de doenças, diagnósticos e tratamentos, etc.

De seguida terá que ser CUMPRIR o que foi prescrito, em termos de tratamentos, evitando suplementações e caso utilize, submeta SEMPRE à aprovação do médico (por muito naturais que sejam… cuidado com plantas naturais que possam cortar efeitos de quimioterapia, por exemplo)…

Depois o restante é entre outras coisas… muito, muito treino mental, baseado em equilíbrio, felicidade, gratidão, positividade, foco, gestão de efeitos secundários, imagem, estabelecimento de objectivos, esperança, emoções, controlo de ansiedade…



Treino Mental na Luta Contra o Cancro

1. Vejo cada dia como um novo dia.

Treinei a minha positividade ao longo dos anos… não sabia o quanto ia precisar dela! Quando fui diagnosticada, tive dias bons e outros mais escuros. Costumo dizer nas Sessões de Coaching, que “nem todos os dias são bons dias, mas todos os dias se acordo, e isso faz deste dia, um grande dia. "

2. Digo a mim mesma que podia estar pior.

Não importa quão más as coisas possam parecer, ou até estarem realmente. A situação pode sempre piorar, por isso vou ser grata pelo que tenho, hoje! 



3. Eu luto pelos meus entes queridos.

“Luto pela minha saúde! Luto por mais tempo com a minha família. Luto para estar saudável, feliz e em paz, para aligeirar a carga (também) da minha família que sofre ao ver-me sofrer”

4. Sou realista, mas ainda positiva.

"Olho para o espelho e concentro-me no que tenho (e amo o que vejo) em vez de me concentrar no que perdi. Eu luto todos os dias para voltar a ser o que posso, e para recriar o que ficou para trás. Posso e vou vencer "

5. Repito que posso lidar com este desafio.

"Quando começo a pensar nisso, há muitas pessoas que têm mais dificuldade do que eu. Pessoas que passam fome ou vivem em zonas de guerra. Pessoas sem liberdade. A lista é muito longa. Sou uma Mulher de Sorte, com um Diagnóstico de Cancro no Século XXI numa Europa desenvolvida, as hipóteses estão do meu lado”

6. Eu alcanço para além de mim mesma, ajudo e adquiro validação.

"Eu fico positiva e feliz ao perceber as pessoas fenomenais que entraram na minha vida devido ao Cancro, ganhei uma imensa e fantástica nova Família. Médicos, Pessoal Clínico, Sobreviventes, Pacientes e Cuidadores a quem auxilio…”

7. Eu sou a tempestade, ao lado de alguém que eu amo.

"Quando me vou abaixo, eu consigo alcançar alguém que se preocupa comigo e em quem eu confio; Que me escuta, valida e ajuda a passar por este sentimento. Seja a minha família, os meus amigos, ou actualmente eu como Coach, no apoio ao outro.

8. Eu sou grata pelo o que tenho.

"Eu respiro, ando e aprecio a vida. O que mais eu poderia pedir? “

"Aprendi a dar valor às pequenas coisas da vida e não ao que tenho, mas a quem sou”

9. Procuro o forro de prata e os raios de esperança.

"Durante os piores momentos da minha vida, sempre procurei o ponto brilhante em qualquer situação difícil. Por exemplo, o céu azul num dia chuvoso, um bebé numa sala de espera agitada, o conforto morno dos cobertores aquecidos durante a quimio mesmo se a qualquer momento viesse bater-me de frente uma onda quente de menopausa induzida… 

Quando as coisas ficavam difíceis, eu ficava hipnotizada, sentindo aquele raio de esperança na minha situação. "

… Continua na próxima semana. 

Até lá! 









Carla Sousa Pinto
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