A VIDA É REAL | POR DIANA FAUSTINO - OMSHANTI

Noto cada vez mais que as pessoas vivem a vida como um robot, como se todo o sistema estivesse tão bem integrado nelas que a vida deixou de ter sabor e que apenas existe um quotidiano cheio de estruturas, horários e rotinas.
Esquecemo-nos de viver. 

E é tão simples quanto isto, estamos tão preocupados em criar “valor”, em atingir objectivos profissionais que nos esquecemos simplesmente de respirar, de sentir o coração a bater de sentir a alegria da vida na nossa própria caminhada, e isto não é um comportamento de apenas uma pessoa, é o comportamento de uma sociedade de se imita e finge que é feliz neste sistema mecanizado.

A necessidade de pertencer à sociedade faz-nos perder a noção de nós mesmos. E não é que esteja errado, a exclusão não é o caminho, mas podemos estar na vida de forma mais conectada e confiante, mais plena do que representa para cada um de nós o real motivo de estar vivo.

O convite é sair da própria bolha e sentir primeiro o corpo, a respiração e para onde esta se move, depois da consciencialização do nosso físico podemos tomar consciência do que nos rodeia e como isso interage ou não com o nosso físico. 

Caminhar os mesmos caminhos com mais consciência de ter a mãe terra por baixo dos pés, olhar para o céu e sentir o verdadeiro significado de tempo e olhar para os passarinhos e sentir a fluidez da vida. O convite é simplesmente parar. Parar para ver, para sentir e para se reconciliar com tudo o que sente dentro ao nível das emoções e também como o que está fora afecta o que está dentro. Percepcionar a vida e como ela corre em nós e também nos outros, olhar para os outros com olhos de ver, reconhecer neles a mesma divindade e valor que existe dentro de nós e reconhecer neles as suas guerras internas.

Caminhar sem saber para onde vamos apenas nos faz andar às voltas, faz-nos envelhecer e torna-nos pessoas cansadas e cinzentas. E o ser humano não é cinzento é um arco-iris de cor e de criatividade e deixar que a manipulação exterior (e também a interior) nos domine é deixar a vida passar sem sabor. Ninguém precisa de definir a cem por cento a sua vida hoje, mas precisamos de saber o que gostaríamos de experimentar, de sentir, de fazer e é nestas pequenas escolhas que vamos trilhando o caminho e fluindo pelo que a vida nos traz, sem andar às voltas apenas a picar ponto para mais um dia de trabalho.

Somos tão responsáveis para umas coisas, mas tão pouco conscientes e responsáveis por nós próprios e pelo destino que estamos constantemente a deixar ser conduzido por outros, está apenas e só nas nossas mãos a capacidade de criar felicidade e também de saber recebê-la e integra-la no peito, está em nós a capacidade de criar o nosso futuro com cada decisão consciente que tomamos no presente.

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