PSORÍASE: UMA PRAGA FÍSICA E EMOCIONAL

Todas acompanhamos os dramas existenciais de quem sofre em plena adolescência de qualquer tipo de padecimento. E, se esse mal for visível, então a vida torna-se infernal. Um desses problemas poderá ser a PSORÍASE que se apresenta normalmente sob a forma de lesões avermelhadas na pele, espessas e descamativas, que podem chegar a ser muito evidentes. E hoje vamos falar sobre isso mesmo!
A PSO Portugal (Associação Portuguesa da Psoríase) lançou a 8 de Março, na sua página de Facebook, a campanha Catarinalândia – Uma miúda cheia de vida e alguma Psoríase. Esta é uma campanha de sensibilização baseada na história e no testemunho de Catarina Figueiredo, uma jovem adulta de 29 anos cujo diagnóstico de psoríase chegou no início da adolescência.

A campanha Catarinalândia – Uma miúda cheia de vida e alguma Psoríase, decorre até 28 de maio e pretende contribuir para a desmistificação da doença na sociedade. Diariamente serão publicados excertos ilustrados do diário escrito por Catarina ao longo dos anos descrevendo as emoções e constrangimentos causados pela doença ao longo do crescimento, da entrada na idade adulta, no início da vida profissional e em ocasiões do quotidiano.

Através da partilha de diferentes abordagens sobre a Psoríase, a iniciativa alerta para a realidade do que é crescer com as implicações diárias da doença na qualidade de vida, no bem-estar, na autoestima e na vida familiar, escolar e profissional.

Para percebermos melhor o que é, realmente, a Psoríase, colocámos algumas questões ao Presidente da Associação Portuguesa de Psoríase, Jaime Melancia, que esperamos que sejam úteis para quem tem algumas dúvidas. 

1. Quais os sintomas ou sinais de Psoríase?

Existem várias formas ou tipologias de Psoríase e cada uma afeta as pessoas de forma particular. A Psoríase em Placas é a forma mais comum e afeta 80% dos psoriáticos. Manifesta-se em qualquer parte do corpo, no entanto, incide especialmente nas áreas dos cotovelos, joelhos, costas e couro cabeludo. As zonas afetadas são cobertas por placas vermelhas com relevo, cobertas por escamas branco-prateadas. A segunda forma mais comum é a Psoríase do Couro Cabeludo, afetando entre 50 a 80% de indivíduos com Psoríase e assemelha-se a caspa, com escamação ligeira e fina ou, na sua forma grave, pode formar placas espessas e com crosta que se prolonga até às áreas circundantes do couro cabeludo. Pode manifestar-se também através de lesões vermelhas ligeiras mais brilhantes, normalmente nas dobras da pele (axilas, virilhas e região infra mamária), ou mesmo, embora de forma mais rara por vermelhidão e inchaço de grandes áreas da pele. 50% dos casos de Psoríase afeta também as unhas, podendo variar entre o quase impercetível e a sua destruição. A Artrite Psoriática, é uma patologia secundária que se manifesta em 10% a 30% dos casos de Psoríase, traduz-se em dor e deformidade, por vezes bastante debilitante, nas articulações. Não tratada, a Artrite Psoriática pode resultar em deformação permanente das articulações. 

Ao mesmo tempo, mais de 1/4 dos portadores de psoríase tem outras doenças associadas, como diabetes, colesterol elevado e hipertensão, levando-nos a concluir que não estamos perante uma única doença. 

O diagnóstico definitivo deve ser sempre efetuado por um dermatologista, uma vez que existem diversas patologias cutâneas com características semelhantes, mas cujo tratamento é muito diferente.

2. A Psoríase é contagiosa?

A Psoríase é uma doença inflamatória crónica da pele, não contagiosa e autoimune, caracterizada por um aumento da velocidade a que as células da pele são produzidas e libertadas. 

Como tal, apresenta-se, geralmente, sob a forma de lesões avermelhadas na pele, espessas e descamativas. Em alguns casos, estende-se às articulações, numa manifestação designada por Artrite Psoriática, frequentemente confundida com Artrite Reumatóide. 

A Psoríase tanto afeta homens como mulheres, estando mais associada a pessoas de pele clara. Devido ao aspeto das lesões, muitas pessoas têm a ideia errada de que a Psoríase é contagiosa. No entanto, o contacto físico não representa qualquer risco. 

3. Como surge a Psoríase? Como se previne? 

Como referi anteriormente, a psoríase é uma doença crónica da pele, não contagiosa, que pode surgir em qualquer idade e que afeta 1 a 3% da população, ou seja cerca de 125 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal estima-se que seja entre 200 a 250 mil doentes de psoríase. 

Atualmente não existem causas conhecidas que justifiquem o aparecimento desta doença, no entanto têm sido efetuadas ligações entre os fatores genéticos, imunológicos, ambientais e psicológicos, que envolvem alterações no funcionamento do sistema imunitário, provocando a inflamação e o aumento da velocidade de renovação das células da epiderme.

O stress tem responsabilidade considerável no desencadeamento da Psoríase, no entanto é apenas um fator interno, como o é o desequilíbrio hormonal. A ausência de exposição solar e a incidência frequente de infeções na garganta e queimaduras solares são fatores externos que contribuem para o despoletar da doença, caso exista predisposição genética. 

O facto de ser geneticamente determinada não implica que a hereditariedade de pais para filhos seja obrigatória. Contudo, verifica-se uma maior probabilidade de aparecimento da doença em pessoas que tenham familiares portadores da mesma.

Uma vez que existem múltiplas doenças cutâneas que também se manifestam com lesões vermelhas e descamativas, o diagnóstico deve ser sempre estabelecido pela observação clínica por um dermatologista.

4. Existe Cura? Não existindo, como se controla? 

A cura definitiva para a psoríase ainda não existe. No entanto, há já um conjunto de tratamentos que, usados isoladamente ou em associação, permitem um melhor controlo dos sintomas. 

Cada doente tem a sua especificidade, pelo que estas terapêuticas devem ser usadas criteriosamente. Existem quatro formas de tratamento, nomeadamente: tópica, fototerapia localizada, sistémica e biotecnológica. Os medicamentos tópicos são aplicados em formas e lesões de Psoríase com gravidade baixa, sendo acompanhados pela fototerapia em casos menos ligeiros. Os medicamentos sistémicos são geralmente recomendados a pessoas com um grau de Psoríase moderada a grave. A sua forma de toma normalmente é através de comprimidos. Para as situações mais graves existe atualmente a possibilidade de recorrer aos medicamentos biotecnológicos, vulgarmente designados como biológicos. A terapêutica com agentes biológicos na psoríase deve ser prescrita e monitorizada em consultas especializadas por dermatologistas com experiência no diagnóstico, avaliação, monitorização e tratamento de psoríase e com experiência na utilização deste tipo de fármacos. 

Idealmente, estes tratamentos devem ser aplicados em conjunto com terapia psicológica, tendo em conta o impacto e condicionantes da Psoríase na qualidade de vida dos psoriáticos. Este acompanhamento revela-se importante para que as pessoas com Psoríase não se sintam desmotivadas e compreendam e saibam lidar com a doença. 

Revela-se de momento necessário, de acordo com o Relatório Global da Psoríase (Organização Mundial de Saúde), assegurar que os psoriáticos têm apoio económico, uma vez que os custos do tratamento são elevados e vitalícios, o que contribui para que muitos psoriáticos não tomem a devida medicação. 

5. Quais os factores que melhoram uma crise?

Normalmente, se os processos de tratamento forem seguidos corretamente, os casos de crise são reduzidos. Qualquer pessoa pode ter um surto sem existir qualquer antecedente. Apesar de se tratar de uma doença crónica, a Psoríase pode entrar em remissão, sendo assintomática nesses períodos. 

Todas as pessoas com psoríase devem ter acesso a serviços de saúde que sejam disponibilizados por forma a dar resposta às suas preferências, que sejam coordenados em torno das suas necessidades e que sejam seguros, efetivos, apropriados, eficientes e de qualidade aceitável. Isto é essencial não apenas para melhorar a vida dos doentes psoriáticos, mas também todas as outras condições crónicas complexas. 

De igual forma, organizações governamentais e não-governamentais têm um papel muito relevante na promoção da educação a profissionais de saúde sobre doenças crónicas da pele. É urgente, para que o aumento de diagnóstico precoce aconteça, que o conhecimento e consciencialização sobre psoríase entre médicos de clínica geral se verifiquem. 

6. Quais os que podem piorar ou desencadear uma crise? 

Fatores como o stress, feridas cutâneas, reações a determinados medicamentos ou o clima de Inverno podem desencadear novas crises.

7. Quais os principais Mitos e Verdades sobre a Psoríase?

Mitos:

  • A psoríase é contagiosa. 
  • A psoríase pode ser facilmente tratada com medicamentos caseiros. 
  • A psoríase vem sempre associada a dores e comichão.
  • A psoríase é causada por falta de higiene.
  • As lesões manifestam-se sempre de igual forma.
Verdades:


  • É uma doença crónica, não contagiosa! 
  • O sol, moderadamente, faz bem para todos os tipos de psoríase.
  • Tem um forte impacto negativo na autoestima.
  • Doença que suscita muitos preconceitos, devido à falta de informação.
  • O sistema nervoso tem impacto nas lesões.
  • Um estilo de vida saudável ajuda no tratamento. 

Para Jaime Melancia, Presidente da PSO Portugal, “os jovens em período de formação da personalidade afetados pela psoríase sofrem muito com o impacto social da doença, pelo que o testemunho atento e simultaneamente humorado da Catarina será um estímulo positivo para quem está perante este desafio. A Psoríase é um inimigo silencioso, mas bem visível, que afeta todas as camadas sociais, géneros, idades e estratos sociais.”

A Psoríase atinge entre 1% a 3% da população e calcula-se que existam entre 150 a 200 mil doentes com psoríase em Portugal. Apesar de crónica, não é mortal nem contagiosa. Apresenta-se geralmente . Este facto faz com que 71% dos doentes assumam que a doença tem um impacto negativo na sua autoestima, pois subsistem ideias pré-concebidas relativamente à pele com psoríase que os remetem para situações de desintegração social e profissional.

“O diagnóstico de psoríase não foi fácil de aceitar, sobretudo enquanto não me habituei a todos os constrangimentos que a doença impõe. Contudo, é importante seguir em frente e encarar esta realidade com boa disposição. Com esta campanha, espero que uma mensagem positiva chegue a quem precisa e que a sociedade em geral consiga compreender melhor a doença, evitando sofrimento desnecessário aos doentes”, afirma Catarina Figueiredo.






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