MULHERES INSPIRADORAS #4: MÓNICA FAÍSCA | IRONMAN




Mónica Faísca é uma mulher como tantas outras...

A descrição até poderia começar assim mas, a verdade é que Mónica Faísca para além de profissional, mãe de dois filhos e dos afazeres todos do dia a dia ainda participa em provas IRONMAN!


Portanto, não! A Mónica não é uma mulher "comum"! É uma mulher inspiradora e extremamente focada cujo objectivo é acumular histórias para contar aos seus filhos e eles aos seus netos. 
Porque é este o legado que quer deixar! 
Colocámos-lhe algumas questões aquando da sua participação no IRONMAN da Áustria e esta foi a sua partilha...agora que já se prepara para a próxima prova ainda este ano! 
 lá meninas! Inspirem-se... e parem de dizer que não têm tempo para o ginásio (como nós!!!).


Como é que começou a tua participação neste tipo de provas?
 Eu desde que me conheço que vivo com sede de explorar o Mundo.  A minha natureza é muito livre, muito aventureira, sempre à procura do melhor que o mundo tem para oferecer.

A decisão de fazer o Ironman, começou com um “Despertar”. Estava no final da minha gravidez quando assisti a uma portuguesa a concluir uma ultra-maratona no deserto (Sahara que adoro!), Carla André. A coragem da Carla comoveu-me muito e quando, já o Tomaz tinha 1 mês, assisto à aventura dum amigo meu, Sérgio Pinho, a concluir o seu primeiro Ironman, o mesmo em que o meu marido, Bruno Silva, resolveu inscrever-se...senti-me a fervilhar de adrenalina.
Era mais forte que eu. Eu queria mais para mim...
Estava a acontecer tudo ao mesmo tempo. Um turbilhão de adrenalina, boa energia e, nunca mais me irei esquecer quando o Bruno, na altura que se estava a inscrever olhou para trás e perguntou-me se eu também queria ir... não hesitei!!!
Já tinhamos conversado sobre o quão dificil seria o Bruno fazer o Ironman e conjugá-lo com a familia mas como era um sonho que ele tinha eu decidi ajudar a concretizá-lo.Se já era dificil para um, para dois...Meu Deus...mas não hesitei! Eu queria fazê-lo. Queria desafiar-me a fazer algo por mim e mostrar aos meus filhos que também a mãe luta pelos seus sonhos.

O que te inspira/motiva quando inicias uma prova deste género?
Sobretudo o desafio e a superação pessoal. É muito gratificante lutar por um objectivo e conseguir superá-lo.Mais, nesta fase da minha vida, motiva-me o facto de que tudo o que faça daqui para a frente tenha impacto nos meus filhos. Todas estas minhas experiências/aventuras são um legado que lhes deixo, são a minha herança que espero que lhes sirva de exemplo e inspiração para o caminho que escolham para as suas próprias vidas.

Como é que te organizas no teu dia a dia para conciliares os treinos com a tua vida pessoal e profissional?
Esse é o verdadeiro desafio porque como a minha família é prioridade, organizo-me à volta da logística familiar e do horário de trabalho: restam-me as horas de madrugada, final da tarde ou depois dos miúdos irem para a cama.
Um dia normal em nossa casa:


 Profissionalmente (para além de tudo o que já fazes) tens alguma actividade?
Tenho. Sou responsável pelo departamento de Comunicação e Imagem & Responsabilidade Social num projecto turístico na Costa Alentejana.

 Há muitas mulheres a participarem neste tipo de prova?
Neste evento em particular, num universo de 3000 inscritos, cerca de 550 eram mulheres.
Para meu orgulho, embora gostasse de ver o numero a aumentar, já vemos cada vez mais mulheres a abraçarem grandes desafios.

 Treinas todos os dias?
Duas vezes por dia!!! Uns dias Natação e Ciclismo, outros Corrida e Reforço Muscular. Treinar todos os dias é relativo. Quando iniciei este projecto de vida com o Bruno, fui peremptória em relação às prioridades na minha vida: Família! Tudo o que fizesse que não prejudicasse os meus filhos e aconteceu inúmeras vezes deixar de treinar porque eles estavam doentes e precisavam do meu colo, do meu amor (e a seguir ficava eu doente e tinha que treinar). Se haviam festas de escola e eu tinha treino planeado, o treino ficava de fora. O treino não pode ser uma obrigação. Tenho que o fazer por prazer e divertir-me com este processo todo. Quando passa a ser uma obrigação, a nossa vida passa a ser dominada por ele e eu nunca quis que isso acontecesse para que não penalizasse nada nem ninguém por isso.


Quais são as tuas principais rotinas no que respeita a cuidados em termos de alimentação e actividade física?
Decidimos, de há 3 anos a esta parte e quando só o Bruno fazia desporto, que precisávamos alterar o nosso regime alimentar. Eu não me sentia bem com o que comia. Como o Bruno fazia muito desporto e precisava de hidratos de carbono, eu acompanhava-o nas mesmas refeições, sem fazer qualquer tipo de exercício.
A determinada altura, resolvemos mudar este regime e adoptar um regime mais saudável.
Engraçado que este processo de mudança e aprendizagem levou-nos a redescobrir a cozinha e a divertirmo-nos a cozinhar. Passou a ser uma paixão. Descobrir as potencialidades dos alimentos, a forma como eles limpam o nosso organismo e como tudo isto impacta no nosso bem estar físico e emocional.

És mãe, mulher, profissional...que conselho podes dar àquelas mulheres que não têm motivação ou força de vontade para iniciar uma actividade física?
Eu acredito verdadeiramente que todas nós temos a vontade de fazer algo por nós próprias. A determinação vem com a acção, com a definição dum objectivo. Quando ele é claro e forte em nós, a determinação é o nosso motor de acção. Eu inscrevi-me num Ironman sem nunca ter feito um Triatlo ou sequer ter corrido uma maratona...

Curioso como durante este processo acabamos por descobrir tanto acerca de nós e começamos a ter uma outra perspectiva da vida.

Nunca mais me esqueço do dia em que seguíamos de carro para o Porto, para participar na maratona do Porto (o Bruno fez a maratona, eu fiz a Family Race),em que íamos a ouvir um podcast onde o entrevistado era o Gordon Ramsey.
Ele que também fez um Ironman, contava que ansiava pela hora do dia em que ia treinar porque, uma vez que trabalhava tanto, precisava daquela hora para relaxar e sobretudo, porque era naquela hora do dia em que o seu cérebro se desligava dos problemas e surgiam as suas melhores ideias. Era a hora onde se sentia mais criativo.Igualmente e porque também a mulher dele começou a praticar triatlo, era um momento que podia envolver a família e partilhar esta paixão em conjunto.

Sinto uma enorme empatia com estas palavras porque efectivamente, desde que iniciei este “projecto pessoal”, sinto-me mais activa, mais dinâmica, mais criativa, fisicamente desperta e com energia para fazer tudo e mais alguma coisa, mais alegre, bem-disposta, mais leve física e emocionalmente. Aprendi a gerir o meu cansaço e percebi o quão relativo ele é. Parece um paradoxo mas compreendi que o cansaço muitas vezes é psicológico e que são precisos apenas 20 segundos para calçar as sapatilhas e sair para correr. Terminas o treino com uma sensação de leveza fantástica e cansaço que tinhas inicialmente...nem te lembras dele. O mesmo para os problemas que nos surgem diariamente. Ganham outra perspectiva. Passamos a ver as coisas com outra clareza.

Depois, poder partilhar estes momentos com quem amamos e ouvir diariamente palavras de incentivo enche-nos a alma. O Bruno foi extraordinário na motivação que me deu. Nos momentos de maior  fraqueza ele levantou-me, puxou por mim, gritou...

Eu senti que o meu Ironman estava feito e podia terminar já ali, quando recebi de prenda do dia da mãe, um desenho que o meu filho (3 anos) fez na escola: “A minha mãe é uma Atleta”. É gratificante sentir que os nossos filhos têm orgulho em nós, que valorizam o que fazemos.

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