MESTRIA | POR DIANA FAUSTINO - OMSHANTI

Passamos por vários estágios, saímos do ninho para a vida onde procuramos construir um ninho nosso com novas folhas, paus e pedras (umas mais preciosas que outras). Mas sabemos que podemos voltar ao ninho dos nossos pais cada vez que seja preciso, cada vez que precisemos de nos apoiar e nutrir: para eles seremos sempre pequeninos, e não deixa de ser verdade.
Enquanto consteladora familiar sistémica, tenho aprendido tanto sobre este ninho que escrevo neste texto: este ninho não é de agora, foi e continua a ser construído pelos nossos ancestrais é portanto um ninho bem maior que alberga tantas experiências, escolhas, vivências e não só. É necessário ter muita destreza para conseguir fazer um movimento consciente em busca da nossa própria identidade: não há necessidade de fazer processos pessoais a ferro e a fogo, as coisas podem ser feitas numa paz maior em conexão com o amor próprio.

Mais uma vez a nossa primeira abordagem é olhar para fora e dizer que o mundo não nos compreende, contudo só quando olhamos para dentro é que percebemos que o mundo lá fora apenas precisa da nossa compaixão, tal como olhar para dentro e trazer essa mesma compaixão em relação a nós mesmos. O tempo que estamos a culpar a humanidade por ser ou fazer estamos também a odiar o que somos, porque fomos nós que escolhemos de forma consciente estar neste planeta a vivenciar tudo. Então estamos contra o quê?

A hipocrisia, a deslealdade, os sentimentos mais humanos e mais desumanos existem dentro de todos nós, contudo eles ainda não precisaram de ser activados porque com a nossa evolução pessoal escolhemos diariamente não vibrar nessa energia. É apenas e só um processo de escolha. A critica, o desdém, a falta de amor e respeito não nos faz melhor que os outros: quando estamos conscientes, a nossa responsabilidade aumenta e não é só a responsabilidade de fazer o bem por nós e pelos outros, é também a responsabilidade de não propagar o que consideramos ser o mal, por nós mesmos e pelos outros também.

Somos todos santos, até aos dia que caímos do altar e percebemos que também temos telhados de vidro como os outros: nós erramos tal como aquele a quem teimamos apontar o dedo numa prepotência e presunção de quem se considera ser melhor que os outros.

Que missão terão essas pessoas que vemos como erradas e que missão temos nós nessa conjugação de verdades que se chocam? Existem muitas perguntas para serem respondidas e a resposta está dentro de cada um de nós e muitas vezes nem sequer é a mesma e está tudo bem! Está tudo certo! O que é o bem e o que é o mal? O que é a nossa verdade e a verdade do outro? O que é que abençoamos e o que é que rejeitamos?

Viver no planeta terra como ser consciente, não é crescer e evoluir para ser melhor que o outro: é para ver no outro o que já fomos e o que graças à tomada de consciência já não somos mais, mas respeitar a opção do outro de ser diferente. Porque cada um de nós tem um ninho ancestral e é neste ninho que reside o verdadeiro ensinamento, pois carrega toda a consciência dos nossos ancestrais também nos seus processos pessoais e a nova consciência que nós, no nosso tempo e espaço também lá colocamos para a nossa descendência, está nas nossas mãos tornar este ninho o mais leve e nutridor possível. Esta sim é a verdadeira mestria!







Diana Faustino
www.omshantilx.com

omshantilx@gmail.com


Comentários