TRISTEZA | POR DIANA FAUSTINO - OMSHANTI

Hoje falo-vos de tristeza. Aquela sensação estranha e pesada que sentimos no corpo e na alma. Ela bate à porta de todos. Mas há quem a considere como “um dia menos bom” ou “um dia em que se está mais sensível”. 
Por vezes tenho a sensação que não fomos ensinados a lidar com a tristeza, mas sim a fugir dela ou mesmo a dar-lhe uma desculpa. A tristeza existe, tem de ser olhada nos olhos e sentida na pele. Ela está ali por alguma razão e é muito importante que tenhamos tempo para a cumprimentar e perguntar o que se passa, que segredos guarda esta tristeza que nos faz afundar numa dor e peso que não conhecemos igual. 

Podemos continuar a ignorar-la, mas ela vai manter-se ali e vai tornar a sua estadia cada vez mais longa e cada vez mais notória. É aquele inquilino que não gostamos mas que quer renovar contracto e nós ainda não encontramos melhor arrendatário, ainda precisamos daquele. 

A tristeza faz-se notar primeiro no nosso corpo e alma, nesta fase apenas nós notamos: o corpo dói, o cansaço instala-se, a vontade começa a ausentar-se. Depois a tristeza toma conta dos olhos - torna os olhos baços, sem vida - segue para as olheiras que se tornam escuras, e a pele já não brilha mais e o cabelo pode começar a cair. 

Mas para isto tudo há uma solução, um creme, um colírio, uma maquilhagem, um massagista, botijas de água quente, aquele champô especial. Para todos os sintomas de tristeza há uma solução num supermercado, numa farmácia ou no centro de fisioterapia mais perto. Mas nada disto cura a tristeza, pode sim disfarçar a dita. Mas não cura. Não vai à raiz. Não agarra o touro pelos cornos. Não. Apenas abafa algo que vai continuar ali, a magoar, a entristecer e a criar dor. 

Mais e mais dor. 

Até ao dia que vêm as doenças, umas mais leves - até porque o nosso sistema físico e emocional é tão amoroso que nos dá uma chamada de atenção leve – até às doenças mais complicadas e crónicas; até ao dia em que o nossos sistemas físico e emocional já não aguentam mais. 

Suspeito que crescemos a aprender que o amor próprio não é prioritário. 

Aumenta-se o ciclo vicioso da busca por produtos, terapias (leves, por favor, “que isto é uma fase, não quero descer aos infernos” nem existe paciência para tal), por mézinhas e orações. 

Acredita-se que tudo passa mesmo sem ir ver o porquê: se é o inferno em nós, então que seja, então que se tenha a coragem de ir ver os demónios internos que tanto causam isto. 
Aí sim, teremos a resposta: um coração partido (que ainda não ficou bem curado); um luto por fazer; histórias para libertar; a criança interna para nutrir; aquele sonho para realizar; ser fiel aos próprios desejos e histórias... e tantas outras coisas, personagens, sentimentos. 

A tristeza mostra onde existe a falta de amor, é uma oportunidade da vida de olhar para a tristeza de coração aberto, pois só assim estamos disponíveis para aceder às raízes. 

Assim sendo, ela foi vista, foi compreendida, então a sua missão está cumprida… E a tristeza não terá mais lugar em nós… pois quando chegar perto já saberemos falar o mesmo dialecto.




Diana Faustino




Comentários

  1. Grata, querida Diana... Tenhamos a coragem de olhar para a tristeza de frente e entender de onde ela vem :-) <3

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