SÍNDROME DE BURNOUT: PREVINA E TRATE!




O trabalho, as obrigações diárias, as exigências, responsabilidades e a quantidade de tarefas – na vida pessoal, profissional ou em ambas – acabam por ocupar grande parte do nosso tempo desbaratando a nossa energia. Esta situação acaba por destruir o nosso equilíbrio interno provocando o que normalmente se designa por stress. 
Quando em pequenas quantidades, o stress é até benéfico porque liberta adrenalina no organismo. Contudo, quando em grandes doses, como em tudo na vida, pode ser perigoso, já que abre a porta de entrada para doenças psicológicas e até mesmo físicas, como hipertensão, gastrite, ansiedade, raiva, indiferença, depressão e desânimo. Em casos mais sérios e avançados, pode levar a surtos psicóticos ou crises neuróticas.

Além do stress, existem outros problemas que podem resultar do ritmo intenso de trabalho e acumulação de tarefas no dia a dia. Um dos mais comuns é o Síndrome de Burnout (que significa  "esgotamento" em português). 

O Síndrome de Burnout surge no ambiente de trabalho e define-se como um desgaste emocional extremo que vai além do stress provocado pelo excesso de preocupações, frustrações, atribuições e das pressões profissionais.

E engana-se quem pensa que esse síndrome atinge apenas o que não gostam do que fazem. Pelo contrário! Costuma afectar justamente os mais envolvidos e que mais investem na profissão, como os que trabalham muito ou que interagem constantemente e de forma activa com outras pessoas, de forma remunerada ou não.. 

Vários médicos com quem falámos explicam que a tensão emocional é uma das características deste síndrome, principalmente quando essa tensão é provocada pelo trabalho ou relacionada com a vida profissional, gerando stress e levando a um desgaste físico, emocional e psicológico.

“A doença ocorre em um conjunto de personalidade (genética) e condições ambientais (factores externos). Obviamente uma pessoa com personalidade mais rígida, que não tolera frustrações, está mais propensa a desenvolvê-la”, alertam.

Quanto às características externas, destaca-se a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.

Principais sintomas físicos e emocionais

A sensação de esgotamento físico e emocional são sintomas típicos do síndrome. Esse esgotamento pode levar a pessoa a ter atitudes negativas, irritabilidade, mudanças bruscas no humor, além de ter reflexos no trabalho, como ausências, dificuldades de concentração, ansiedade, lapsos de memória, entre outros problemas. Há, ainda, sinais de depressão com baixa auto-estima, isolamento e pessimismo.

Podem também existir alguns sintomas físicos. Os mais comuns são dores de cabeça e o cansaço constante. E também dores musculares, dificuldade para dormir, suor em excesso, palpitações e problemas gastrointestinais.

O tratamento da Síndrome de Burnout é realizado com psicoterapia, antidepressivos e mudanças no estilo de vida, incluindo a prática de actividade física, meditação, entre outras.

A forma como cada um desses tratamentos será conduzido irá depender de cada caso, por isso é necessário que haja uma avaliação individual, bem como um acompanhamento de cada paciente.

O mais importante é não demorar em procurar ajuda. “Se notar algum sintoma da síndrome, seja ele físico ou emocional, é preciso procurar imediatamente um psicólogo ou psiquiatra para realizar o diagnóstico e conduzir o tratamento”, explicam os especialistas.

5 atitudes que podem ajudar na prevenção da Síndrome de Burnout

A mudança no estilo de vida é parte importante para que o tratamento funcione. Algumas pequenas atitudes podem fazer a diferença. São elas:

Praticar exercícios físicos;
Ter uma alimentação adequada e equilibrada;
Incluir na rotina diária momentos de lazer e relaxamento;
Implementar formas para que o trabalho não interfira na qualidade de vida;
Não exija tanto de si.

Apesar de simples, é preciso reconhecer a dificuldade de se manter todas essas coisas em dia. Porém com paciência e dedicação, é possível!

Para terminar este artigo apenas uma nota para explicar a diferença entre stress, depressão e Síndrome de Burnout, já que apesar das possíveis semelhanças entre elas, é preciso saber diferenciar cada caso.

O stress pode ser considerado a soma de respostas físicas e mentais causadas por estímulos externos e que permitem ao indivíduo superar determinadas exigências do ambiente, ainda que gerando desgastes. 

Na depressão, os sintomas como letargia, sentimentos de culpa, falta de prazer e vontade de fazer seja o que for são direccionados ao contexto geral de sua vida, não apenas ao trabalho.

Já no Síndrome de Burnout o aparecimento dos sintomas ocorre em resposta ao stress ocupacional crónico, sempre tendo relação com o trabalho. 

Agora que sabe um pouco mais sobre a Síndrome de Burnout, esteja atenta aos sintomas e tenha atenção ao seu comportamento no trabalho

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